João Adolfo Guerreiro
Descobrindo a verdade/ sem medo de viver/ A liberdade de escolha/ é a fé que faz crescer.
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A tempestade

 

Avisou ontem no YouTube da MetSul: ventos de até 150 km na região Carbonífera! Deu até horário: 03 horas da madruga. Fez um drama a meteorologista loira de olhos verdes, disse que era a primeira vez que fazia uma previsão para um quadro tão forte.

 

Pois ela só errou o horário, por meia hora, eis que duas e trinta o vento chegou com tudo. Às duas horas ouvi o barulho ao longe do vento chegando. Liguei a máquina de lavar louça que a mulher havia esquecido, por cansada. Daria tempo? Coloquei o celular pra mais uma recarga. Já havia feito o estoque de água potável e pra limpeza. Depois que o clima mudou e que privatizaram a Corsan, já sabemos: com vento falta água e luz por uns dias, tem de se preparar. A gente se adapta a tudo, por isso sobrevivemos.

 

Pois duas e trinta o vento chegou e a luz se foi, trazendo a tempestade. Realmente, a meteorologista não estava exagerando. Ouvi barulho de árvores quebrando. Meu telhado! Mas bah, cueras, que ventão darandandão, ventaço! Saí com a lanterna verificando o forro. Não devia ser aqui, senão ouviria o telhado quebrando e já estaria tudo gotejando. Abri a porta da frente. Tudo ok. A cadela de pé e tensa na sua casinha, mas firme. Santa Bárbara não dorme na tempestade.

 

Deitei no sofá da sala. A mulher dormindo no quarto. Observava a luz dos relâmpagos e via as árvores do vizinho dançarem vigorosa e tenebrosamente, parecia a dança da Wandinha. Sim, teve festinha de criança no domingo aqui em casa e a guria quis Wandinha pro tema. Wandinha à tarde, Wandinha à noite. Tudo ok com a casa, o vento refluiu, só chuva. Adormeci, finalmente.

 

Acordei. Sem água e luz, mas com internet. Contatei parentes e amigos pra ver a situação da cidade. Tenho de comprar café, tinha só um restinho - foi assim mesmo, com pão e ovo frito. Esqueci do café ontem no supermercado, culpa da Wandinha. Olho pela janela da rua e vejo a cena da foto acima: o vizinho de facão fazendo uma entrada de cerca viva no portão. O barulho que ouvi na madruga foi o de suas árvores se partindo. Trupicaram na dança da Wandinha.

 

Uma boa semana para todos. Cuidem-se, vacinem-se, vivam e fiquem com Deus. 

João Adolfo Guerreiro
Enviado por João Adolfo Guerreiro em 21/09/2026
Alterado em 21/09/2026
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