Friozinho de maio numa segunda-feira de finaleira de abril neste 2026, ótimo dia pra se escrever sobre futebol, ainda mais que o Grêmio venceu no domingo, sem levar gol, o que nos faz pensar justamente em... zaga! A propósito, então, imagina tu, centroavante, tendo de encarar uma dupla de zaga de "betos"? Perde o respeito, né? Mas não é o caso, creia...
Buenas, essa já é do tempo do Ariri Pistola, até os apelidos entregam: Bacamarte e Fuscão. Caro centroavante, imagina? Um atirava em ti e outro te atropelava! Ou vice-versa. Em várias ocasiões formaram a zaga gremista naqueles anos 1970, tempos áureos do... Inter! Isso, não que o Grêmio fosse ruim, ao contrário, era muito bom, só que o rival era E X C E L E N T E: Falcão, Manga, Figueroa, Caçapava, Escurinho, Valdomiro, Carpegiani, Batista, o Cláudio Duarte da Colônia, aqui de Charqueadas. Melhor esquecer desse pesadelo e voltar aos betos tricolores.
Embora aquele que era "O Zagueiro" do Grêmio na época fosse o Ancheta, da Seleção do Uruguai de 1970 (foi quem impediu Pelé de fazer aquele gol onde driblou o goleiro com um corta-luz, na Copa do México), Beto Bacamarte e Beto Fuscão jogaram juntos muitas vezes pelo Gauchão e Brasileiro. Nenhum deles, aliás, se chamava Alberto, Roberto ou Gilberto, mas sim Mauro Pinto (Bacamarte) e Rigoberto Costa (Fuscão). E os caras eram bons de bola. Vamos para a ficha jogada dos boleiros.
Mauro, gaúcho de Rio Pardo tchê, era da base do Grêmio, onde atuou de 1970 até 1976, sei lá o motivo, como Beto - viraria Bacamarte apenas quando da chegada de Fuscão ao Tricolor. Em 1972 foi Bola de Prata da revista Placar, por sua atuação no Brasileiro. Ainda em 1976 foi para o Flamengo de Zico & Cia Ilimitada. Rigoberto era catarina de Florianópolis, veio, junto com Tarciso Flecha-Negra, em 1973, para o Tricolosso do Olímpico, onde ganhou uma Bola de Prata em 1976, pelo Brasileiro. Chegou a jogar o Gauchão de 1977, mas em abril já estava no Palmeiras, cumprindo seu destino de barriga-verde de nascimento. Atuou 15 vezes pela Seleção Brasileira e ganhou torneio com a amarelinha. O apelido veio pelos colegas acharem seu traseiro semelhante ao parachoque de um automóvel fusca.
Jogaram juntos com feras como, além do já citado zagueiro e cantor de boleros Ancheta, Valdir Espinoza (técnico do Mundial de 1983), Everaldo (Tri em 1970 no México, estrela na bandeira do Grêmio), Tarciso Flecha Negra (aquele que mais vestiu o manto tricolor) e o bem dotado goleiro com nome de pintor, Picasso (que, dizem, não enxergava bem à noite).
Bacamarte parou de atirar em agosto de 2024, enquanto Fuscão foi pro desmanche em dezembro de 2022. Ambos, todavia, serão eternos, eis que fizeram parte da inesquecível e sofrida Máquina Tricolor da Azenha dos 1970, tempo em que o cara tinha de ser gremista de verdade pra aguentar o repuxo do tirão seco vermelho.
PS - Foi um amigo colorado, o Alberto "Beto" André, que me deu a dica pra esta crônica.
Uma boa semana pra todos. Cuidem-se, vacinem-se, vivam e fiquem com Deus.