João Adolfo Guerreiro
Descobrindo a verdade/ sem medo de viver/ A liberdade de escolha/ é a fé que faz crescer.
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Textos

A casa do menino

 

Era uma casa muito encantada, com vista para os morros e o estádio de futebol ao café da manhã e com uma alameda de ciprestes materna no pátio. Com um gigantesco porão onde o menino brincava.

 

Ficava na parte mais bela da cidade, perto da igreja, do céu e das festas comunitárias onde até o governador Ildo esteve, parando sobre o barranco e o olhar curioso do menino. A casa resplandecia a país e irmã vivos e irmãos presentes, a segurança, conforto, acolhimento, prazeres, descobertas e aprendizados.

 

O tempo passou, os irmãos foram ganhar a vida e a família se mudou de cidade atrás. Toda a escolha consciente e regida pelo bom senso não necessariamente será aprovada pelo coração. O pai, não por acaso, adoeceu de arrependimento. O menino, melancólico de saLdade. "Não doeu só em mim" - cantaria  anos depois. Mas a casa permanece lá, na memória e no local...

 

- Quanto custa? - perguntou o menino pro dono da sua casa.

 

O porão ainda existe, mas parece menor. Mesmo assim daria um bom estúdio. O céu ainda é tão lindo por lá. As lembranças estão presentes, olhando através de cada canto, lá do passado. A casa vive e respira, não esqueceu do menino: "Me compra? Volta pra mim?"

 

É uma casa muito encantada, perto da igreja, do céu e do coração. Uma casa viva, que não esqueceu do sabor da felicidade.

 

João Adolfo Guerreiro
Enviado por João Adolfo Guerreiro em 16/06/2026
Alterado em 16/06/2026
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