João Adolfo Guerreiro
Descobrindo a verdade/ sem medo de viver/ A liberdade de escolha/ é a fé que faz crescer.
Capa Meu Diário Textos Áudios Fotos Perfil Livros à Venda Livro de Visitas Contato Links
Textos

Do Paredão, só a parede

 

Algo que sempre gostei foi abrir espaço para outros cronistas. Hoje e amanhã farei isso. Inicio por essa crônica da charqueadense Joana Argenton, abaixo:

 

Ao lado da fachada do Magazine Luiza, a mais recente entre as quatro que habitam o cruzamento entre a Bento e a Primeiro de Maio, resiste uma parede marrom. É interessante o contraste do azul vibrante do letreiro com o marrom esmaecido da parede que parece ter sido esquecida: a parede que restou do Paredão.

 

Não sei quem veio primeiro, se o nome, se a edificação, mas fato é que o Paredão era uma estrutura que fazia jus ao nome: cardápio em tons de marrom e verde, identidade visual inspirada no Capitão Caverna e uma senhora parede de pedra (a pintura marrom e os famosos hambúrgueres com nome de equipe de gincana vieram em uma reforma posterior). Não raro, sinto vontade de saborear outra vez um xis Colegial, vulgo xis carne, ou Campeão, o melhor xis com azeitonas que já existiu - opinião minha, totalmente imparcial e absolutamente inquestionável. Também sinto falta das fritas, servidas com queijo em uma bacia verde, pedido certeiro em dias de jogos importantes que não passavam na TV aberta e lotavam a calçada. Sempre tinha um que ouvia o jogo pelo rádio e gritava “gol” antes de passar no telão.

 

Era um lugar onde as pessoas se reuniam para comer, ouvir música, assistir futebol, conversar, viver, tudo no último minuto antes dos smartphones transformarem (ou seria reduzirem?) as interações sociais. O Paredão ter dado lugar a um ponto de retirada de um grande marketplace é um sinal indelével dos tempos.

 

Saudade tão salgada quanto o fundo da bacia de batata.

João Adolfo Guerreiro
Enviado por João Adolfo Guerreiro em 10/06/2026
Alterado em 10/06/2026
Comentários