João Adolfo Guerreiro
Descobrindo a verdade/ sem medo de viver/ A liberdade de escolha/ é a fé que faz crescer.
Capa Meu Diário Textos Áudios Fotos Perfil Livros à Venda Livro de Visitas Contato Links
Textos

Rio Baldo

 

No último dia 8 de maio fez 70 anos o lançamento de Grande Sertão: Veredas, icônico romance de João Guimarães Rosa. Já escrevi sobre na data aqui, no texto Os 70 anos de Grande Sertão: Veredas.

 

Hoje o Clube do Livro de Charqueadas debaterá a obra, às 20 horas, na Biblioteca Romeu Lombardi, na Cohab. Abaixo, deixo um poema nele baseado e uma citação importante do livro, intensa e pungente. 

 

RIO BALDO

 

Lá no sertão dos Gerais

brilham estrelas afins

sou rio que corre de-amar

pelas veredas sem fim

 

Por um amor em disputa

com essa guerra ruim

pois sem você, minha lua

o que é que vai ser de mim?

 

Diadorim, Diadorim

 

No teu verde tão vivo

que é espelho do mato

encontrei meu abrigo

um amor assim tão de-fato

 

Vamo embora pra longe

pra onde o ódio não nasce

pra eu poder ficar mirando

o verde na cor da tua face

 

Diadorim, Diadorim

 

Vamo e vamo meu mano

Apois, no ferro e no fogo

que a saudade é uma velhice

e viver muito perigoso

 

Diadorim, Diadorim

-----

 

" ...Estarreci. A dôr não pode mais do que a surpresa. A coice d’arma, de coronha... Ela era. Tal que assim se desencantava, num encanto tão terrível; e levantei mão pra me benzer – mas com ela tapei foi um soluçar, e enxuguei as lágrimas maiores. Uivei. Diadorim! Diadorim. Diadorim era como o sol não acende a água do rio Urucúia, como eu solucei meu desespero. O senhor não repare. Demore, que eu conto. A vida da gente nunca tem termo real. Eu estendi as mão para tocar naquele corpo, e estremeci, retirando as mão para trás, incendiável: abaixei meus olhos. E a Mulher estendeu a toalha, recobrindo as partes. Mas aqueles olhos eu beijei, e as faces, a boca. Adivinhava os cabelos. Cabelos que cortou com tesoura de prata... E eu não sabia por que nome chamar; eu exclamei me doendo:

‑ 'Meu amor!...' "

 

João Adolfo Guerreiro
Enviado por João Adolfo Guerreiro em 27/05/2026
Alterado em 28/05/2026
Comentários