Hoje fui no banco fazer uma caminhada. Peguei minha ficha, entrei e sentei na espera para os caixas. Buenas, no Banrisul tem ar condicionado, melhor que na Corsan, onde não tem mais refresco nas filas. Privatiza que melhora...
Cheguei e tava um colega de serviço já acomodado. Lamentou que já tem mais de 30 anos de trambe, mas que terá de esperar a idade de 55 anos pra se aposentar, pois mudou a regra pra aposentadoria especial.
- Vou trabalhar 11 anos a mais que os outros, que foram pela regra antiga!
A regra mudou em 2019, no governo Bolsonaro. Nem comentei isso, não sei em quem ele votou, não tava a fim de correr o risco de azedar a conversa.
Deu a vinheta sonora e o número de atendimento dele apareceu na tela. Nos despedimos. Saiu e entrou outro cara. Era um ex-colega de quinta à oitava séries, lá do Cruz de Malta, dos tempos em que o Tigrão era diretor. Tocou a vinheta, chamando uma ficha preferencial.
- Em setembro vou lá e pego minha carteira, daí serei preferencial, também - comemorou.
- Eu só daqui três anos - respondi.
- Ué, achei que a gente regulava de idade - replicou.
Vai ver ele repetiu alguns anos no primário ou entrou mais tarde, mas não quis perguntar. Então começamos a falar dos colegas e professores: Zé Olavo, de Educação Física; Nerina, de Biologia; Arani, de Matemática; e Maria Edi, de História, dentre outros (bah, esqueci da Ana Leci, de Geografia, só agora me dei conta).
Daí falamos dos colegas e constatamos que uma boa parte já morreu, mas a maioria ainda vive, só que alguns ainda não de aposentaram.
- Aposentei como metalúrgico, aposentadoria especial.
- Sei. Vocês tem aquele documento, a SB 40 né? Isso?
- Agora é a PPP, mas é a mesma coisa.
- Ah, tá.
- Tem um monte de ex-colegas nossos que ainda não se aposentaram, tão na comum e caíram nessa regra nova, de 65 anos
- Pois é. Que bosta, né?
- É. E vai ficar muito pior pra essa gurizada nova.
- É.
A vinheta anunciou minha senha. Nos despedimos e fui pro caixa, satisfeito com minha idade e escolha profissional. A fila anda, como dizem. No caso, pra trás em termos de direitos, na estrada para o futuro.