João Adolfo Guerreiro
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Pra onde foram as luzes de Natal da cidade?

 

Sinto uma ausência neste período do Advento ao caminhar e pedalar pelas ruas de Charqueadas no final do dia e pela noite: a das luzes de Natal nas residências. A percepção é de tal monta pois nem o comércio está investido na decoração natalina como em anos anteriores. "O que será, que será?" - pergunto, como o Chico na canção.

 

O Parcão, em outros tempos mui iluminado e decorado, agora está parcamente enfeitado para o Natal. Por outro lado, na ERS em volta deste, desde o inicio da ciclovia lá pros lados da Gerdau até a Cruz de Malta, a prefeitura colocou umas luzes legais nos postes de iluminação pública, como podemos ver na imagem abaixo. Também na Prefeitura, no Centro, foram colocadas luzes brancas nas árvores e decoração nos principais trevos de acesso, como nas imagens acima e abaixo. Assim, de certa forma, podemos afirmar que o setor público municipal fez sua parte para o período.

 

Se é fato que temos exemplos como a maravilhosa Casa do Natal da família Souza, lá na Vila AFP, também é verdade que, pelas casas nos demais bairros da cidade, a iluminação natalina minimamente vicejou. Percebo isso em minha rua, inclusive. As luzes nos pátios das residências são a manifestação pública de que aquela família está acometida pelo encanto daquilo que denominamos como o "espírito do Natal", de uma forma ostensiva. Em outras palavras, demonstram que as famílias estão radiantes de Natal, irradiando este para o exterior de suas casas, compartilhando-a com vizinhos e transeuntes. Pelo menos é assim que as vejo, as luzes natalinas nos lares. Logo, sua quase ausência me deixa um pouco sorumbático.

 

E no comércio? Esse é um período chave para as vendas, estimuladas pelo Papai Noel, dentro da tradição ocidental que remete ao bispo Nicolau lá no ano 350, com o presente sendo uma forma de caridade, fraternidade e espírito cristão, enaltecendo a comemoração do nascimento do Menino Jesus e chamando a atenção para a Palavra contida nos evangelhos do Novo Testamento. Pois, fora os estabelecimentos comerciais que trabalham especificamente com produtos natalinos, o que vejo é pouca decoração e iluminação nas lojas. Esses dias fui numa casa comercial onde comprava esses cabos com luzes de Natal revestidas pra uso exterior e não vi ali o produto, somente umas caixas com luzinhas pra espaços internos.

 

O que deduzi? Que o pessoal não vem mais comprando e o comércio, portanto, não investe na aquisição dos mesmos e, por conseguinte, também não decoram e iluminam suas vitrines. Uma coisa deve levar à outra, não é mesmo? Além disso, se o pessoal não está usando nem as luzes do ano anterior nos pátios, quanto mais comprar novas.

 

É o que constato neste Natal de 2025. As pessoas, suponho, pela manifestação exterior ausente, não estão mais tão ligadas no Natal como antes. Será que é isso? Se for, não imagino claramente o motivo. Desconfio que essas disputas políticas, a tal divisão em dois polos distintos, estejam envenenando o espírito cristão das pessoas. Sim, pois onde há mágoa, rancor e ódio entre os homens, o amor escasseia e o espírito do Natal fica sem base social fértil.

 

Uma boa semana para todos. Cuidem-se, vacinem-se, vivam e fiquem com Deus.

 

João Adolfo Guerreiro
Enviado por João Adolfo Guerreiro em 15/12/2025
Alterado em 15/12/2025
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