João Adolfo Guerreiro
Descobrindo a verdade/ sem medo de viver/ A liberdade de escolha/ é a fé que faz crescer.
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CalOR InSANo

 

Prefiro o inverno ao verão. Tenho pesadelos com o que virá em janeiro e fevereiro, se agora já tá desse jeito. Pois fui agora no início da tarde ver como tava a conta de água, que não se pode vacilar no calor e deixar cortar, né? Sim, prefiro não deixar esses pagamentos em débito em conta. Sou muito desconfiado.

 

Chego lá e tem um mulher sendo atendida e outra sentada. Pergunto pra essa:

- Tem que pegar ficha?

- Não - reponde. É por ordem de chegada.

Buenas, então sou o segundo em espera - pensei.

 

Só uma funcionária no guichê presencial, morena clara. E se arrastava o atendimento em curso. Pelo que ouvi, a usuária era advogada de alguém com problema de instalação de água e estava com um procuração a fim de resolver o problema. E tava quente ali, sem ar condicionado. E começou a entrar gente e a se formar fila. Até que chegou uma outra funcionária, loira.

 

- Alguém aí é pra tirar segunda via?

Só uma mulher estava por essas. A funcionária a atendeu e saiu. E nos lá, esperando, no calor, a provável advogada resolver as demandas de sua possível cliente. Dali uns minutos volta a loira.

- Alguém aí é pra tirar segunda via?

Um senhor que já chegara era. Atendeu-o e abriu a porta de acesso pra entrar um ventinho. Recordo de, antes, sempre ter ar condicionado ligado ali. Será que a empresa estava economizando no ar da agência? Já estávamos em sete na espera e a que estava na minha frente já se encontrava com a atendente. Uma usuária de camisa laranja estava impaciente - assim como eu - a que estava atrás de mim na fila. Nisso tudo já haviam se passado uns quarenta minutos.

 

Chega um cara com um moça junto, disse que era de Ratos e que já estivera ali ao meio-dia e voltara a fim de resolver suas encrencas. Chegou a minha vez e a morena clara:

- Posso atender esse senhor na tua frente? Será bem rápido.

- Ok - assenti, pois seria rápido, né?

O cara me agradeceu e foram lá, ele e a moça, sentar pra falar com a funcionária.

 

Lembrei que tempos atrás chegava ali e sempre havia mais de um atendente, além de ter o ar condicionado. Será que diminuíram os funcionários pra economizar também? Liberais... O rapidinho da morena clara já estava nuns vinte minutos e a usuária de laranja cansou de esperar e se foi. Percebi nos que aguardavam na fila um leve sorriso de Monalisa de satisfação, tipo "ah, que bom, um a menos na fila". Chegou a minha vez, até que enfim, após mais de uma hora.

 

Comigo foi jogo rápido, só queria conferir as contas pra ir no banco pagar, visto que sou meio atrapalhado com essas coisas. Fiquei pensando na diferença no atendimento de agora em relação a antes. Os funcionários continuam educados e solícitos, mas a demora...

 

Cheguei no banco, estou no caixa eletrônico pagando a conta, apanhando com a digitação dos números, pois os sensores de leitura nunca conseguem ler o código de barras das contas d'água. Nisso, chega a usuária de laranja no caixa ao lado.

- Oi, o senhor aqui, também.

- Pois é, saindo daquele calor pra pagar a conta d'água. Pelo menos aqui no banco não tem fila e tem ar condicionado.

- Verdade, eu não aguentei ficar lá esperando. Como piorou o atendimento, né?

- Bah, verdade.

 

Como disse, detesto esse clima de quase verão. CalOR InSANo! Que nunca me falte água nesta vida. E tampouco uma sombrinha onde eu possa deitar embaixo feito um bichano preguiçoso.

João Adolfo Guerreiro
Enviado por João Adolfo Guerreiro em 02/12/2025
Alterado em 02/12/2025
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