João Adolfo Guerreiro
Descobrindo a verdade/ sem medo de viver/ A liberdade de escolha/ é a fé que faz crescer.
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Textos

Há flores azuis no pátio da casa esse ano

 

Sempre estiveram ali?

Não sei?

Não vi?

 

Me falha a memória...

 

Mas agora estão

E é isso o que importa

É tudo o que importa!

O que realmente importa na vida

É o presente e a presença.

 

Passei 538 dias dentro deste pátio

E não me lembro delas

Como pode?

"A gente cortava a grama

sempre nesta época do ano"

Disse-me a vizinha

Ah, tá explicado, então.

 

A natureza

É bela

E cria

O caos

A ordem

É humana.

 

Ainda bem que os Rocha amoleceram esse ano

E, assim, as flores azuis brotaram em meio ao capim.

 

Gosto da cor que singra a rusticidade

Pois gosto da rusticidade e da cor

E das folhas secas que ficam no chão:

As pequenas embarcações de minha infância

Singrando mares caóticos

De capim e flores azuis.

 

Há quem curta grama bem aparada

E cimento e lajes nas calçadas

Não sou desses

Prefiro os 1960 e 70

Com os caminhos das pessoas e os das formigas pelo capim

Com os gatos defecando pela volta e enterrando seus cocôs

Pra depois virem sentar no colo da gente

Bem catitos

Bem gatitos

Bem bichanos

E nós

Bem humanos.

 

Neste dezembro os Rochas

Pela primeira vez

Não capricharam

E as flores azuis

Nasceram pro Natal que virá.

 

Jamais esquecerei que

Neste dezembro de 2025

Nasceram flores azuis

No pátio dos Rocha

E que meu coração

Ficou alegre

Com isso.

 

A vida

Pra mim

É assim

Simples e bela

Como uma florzinha azul

Singrando o capim

Nas folhas secas

 

 

Uma boa semana para todos. Cuidem-se, vacinem-se, vivam as flores azuis de vossas casas e fiquem com Deus.

 

João Adolfo Guerreiro
Enviado por João Adolfo Guerreiro em 01/12/2025
Alterado em 01/12/2025
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