Sempre estiveram ali?
Não sei?
Não vi?
Me falha a memória...
Mas agora estão
E é isso o que importa
É tudo o que importa!
O que realmente importa na vida
É o presente e a presença.
Passei 538 dias dentro deste pátio
E não me lembro delas
Como pode?
"A gente cortava a grama
sempre nesta época do ano"
Disse-me a vizinha
Ah, tá explicado, então.
A natureza
É bela
E cria
O caos
A ordem
É humana.
Ainda bem que os Rocha amoleceram esse ano
E, assim, as flores azuis brotaram em meio ao capim.
Gosto da cor que singra a rusticidade
Pois gosto da rusticidade e da cor
E das folhas secas que ficam no chão:
As pequenas embarcações de minha infância
Singrando mares caóticos
De capim e flores azuis.
Há quem curta grama bem aparada
E cimento e lajes nas calçadas
Não sou desses
Prefiro os 1960 e 70
Com os caminhos das pessoas e os das formigas pelo capim
Com os gatos defecando pela volta e enterrando seus cocôs
Pra depois virem sentar no colo da gente
Bem catitos
Bem gatitos
Bem bichanos
E nós
Bem humanos.
Neste dezembro os Rochas
Pela primeira vez
Não capricharam
E as flores azuis
Nasceram pro Natal que virá.
Jamais esquecerei que
Neste dezembro de 2025
Nasceram flores azuis
No pátio dos Rocha
E que meu coração
Ficou alegre
Com isso.
A vida
Pra mim
É assim
Simples e bela
Como uma florzinha azul
Singrando o capim
Nas folhas secas
Uma boa semana para todos. Cuidem-se, vacinem-se, vivam as flores azuis de vossas casas e fiquem com Deus.
