Tem livros que não queremos terminar de ler, de tão boa que é a experiência. Percebemos o avanço para sua parte final e uma proto-saudade já se instala, viral. São 09:14h de 13 de maio de 2026, manhã fria, e faltam menos de 100 páginas pra mim concluir A Escalada, de Anatoli Boukreev, o alpinista cazaque. O frio de outono gaúcho me faz próximo fisicamente do frio da primavera nepalesa, sobre o Everest. Próxima num sentido figurado, pois lá fazia, na noite de 10 para 11 de maio de 1996, 40° negativos transformados em 70° negativos pelos ventos de 100 km/h. São trinta anos, 8.000 metros de altitude e quase 80° de distância, logo. Vou no WC urinar, mas tive de vir aqui escrever isso logo depois de fechar o livro com o marcador de página dentro. Gosto de frio, detesto calor. Calorão, melhor dizendo. Sofro menos em temperaturas baixas, os calorões me assolam terrivelmente o corpo. Nasci em junho, já no inverno. Voltarei com vagar ao livro, a fim de esticar ao máximo o prazer.