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Katmandu: Papai polivalente

Estavam as meninas naquela escola de alta sociedade contando vantagem, uma esnobando a outra. Aninha, recém chegada, estava sendo posta à prova.
- O meu pai é diretor executivo do Banco Central – disse Flavinha. E o seu, Aninha?
- O meu? – deu de ombros, blasé. Ele é banqueiro do jogo do bicho, em Katmandu.
- Katmandú?
- Isso. Katmandu. No Nepal.
Paulinha entra na discussão:
- O meu pai é brigadeiro da Aeronáutica.
- E o meu possui uma frota de teco-tecos em Katamandu – bateu de pronto Aninha.
- Também?
- Também.
Mariazinha resolveu se manifestar:
- O meu pai é executivo da Petrobrás.
- E o meu tem um posto de gasolina em Katmandu.
- Também?
- Também.
Isadorinha achou que era a sua vez:
- O meu pai é senador da República.
- E o meu é vereador em Katmandu.
- Também?
- Também.
Suzaninha não se contém mais:
- O meu pai é governador do Estado.
- E o meu é presidente do Sport Club Katmandu.
Nesse ponto, Karina entendeu necessária sua entrada triunfal na conversa:
- O meu pai é dono da maior rede de shopping centers do Brasil.
- E o meu é dono de uma lojinha de tecidos em Katmandu.
As outras riem. Aninha completa:
- Ele vende moldes de tecido para um senhor lá dos Estados Unidos, um tal de Calvin Klein.
Silêncio total.
João Adolfo Guerreiro
Enviado por João Adolfo Guerreiro em 27/02/2010
Alterado em 03/03/2010
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