João Adolfo Guerreiro
Descobrindo a verdade/ sem medo de viver/ A liberdade de escolha/ é a fé que faz crescer.
CapaCapa Meu DiárioMeu Diário TextosTextos ÁudiosÁudios FotosFotos PerfilPerfil Livros à VendaLivros à Venda Livro de VisitasLivro de Visitas ContatoContato LinksLinks
Textos


Entrevista ao jornal Portal de Noticias

Na quarta-feira (09.11.11) passada recebi telefonema inesperado em meu celular. Era a jornalista Viviane Bueno, do Jornal Portal de Noticias, querendo realizar uma entrevista comigo como colecionador do gibi Tex. Dupla surpresa! A entrevista foi realizada na sexta à tarde.
Nunca pensei que minha coleção de Tex fosse render tanta midia, eh eh eh. Além da entrevista pro português Tex Willer Blog, do grande colecionador José Francisco, agora essa.
Ficou boa a entrevista, publicada ontem (15/11/11), o Portal é um jornal local que esta num ótimo momento. Viviane, além de muito simpática, é competente e talentosa, como poderão perceber pelo texto abaixo.
(As fotos são do Portal, feitas pela jornalista Viviane.)



O colecionador de gibis
Em meio aos seus 600 exemplares, João Adolfo viaja no tempo lendo as histórias de Tex Willer
Viviane Borba Bueno


Ele tinha nove anos quando leu o primeiro gibi. A história intitulada “Flor da Morte”, impactou o menino. Lidos na casa de parentes do bairro Sarandi, em Porto Alegre, os quadrinhos que falavam sobre uma flor que matava, permaneceram guardados em sua memória com riqueza de detalhes. Algum tempo depois, em um sebo na Capital, ele viu uma gravura familiar. Tratava-se da revista que havia conhecido quando criança. E a partir daí, as linhas que desenham a vida na ficção, mesclaram-se com os traços da vida real. Esse é apenas o início da trajetória do colecionador apaixonado pelas aventuras do personagem de faroeste Tex Willer, João Adolfo Guerreiro.
O vento naquela tarde de primavera não só balançava as folhas das árvores ou o cabelo das pessoas que transitavam na rua, mas também conduziam os pensamentos do morador de Charqueadas, de 43 anos, ao lembrar-se de tempos distantes.
A estante no escritório de João já está pequena para os cerca de 600 exemplares que coleciona. O gibi de origem italiana, criado em 1948, e com 40 anos de publicação ininterruptos no Brasil, fez parte de sua adolescência.
- Nas décadas de 70 e 80 existiam muitos gibis nas bancas. Os do Tex vendiam em torno de 150 mil exemplares por mês. Foi algo muito presente na minha vida – conta Guerreiro.
Além das histórias em que grande parte do enredo se passava no Arizona, estado americano localizado na região sudoeste do país, a qualidade dos desenhos e o preto e branco dos quadrinhos chamavam a atenção de João.
- O traço é realista. Esteticamente me agrada muito – revela.
Mas foi em 2008 que ele se motivou a colecionar as aventuras de Tex. Pelo menos uma vez por mês, nas sextas-feiras, a presença de João na banca do centro de Charqueadas é garantida para comprar o seu exemplar do Tex.
- A dona da banca já deixa um exemplar guardado pra mim - diz.
Colecionador de todos os formatos do Tex, ele guarda relíquias, como as edições de número 3 e 5, do ano de 1971.
- São raras, publicadas pela editora Vecchi – fala.
Entre as histórias que mais gosta destacam-se “Conspiração Contra Custer”, “As grandes Pradarias” e “A Batalha do Little Bighorn”, que inicia no número 406 e segue até o 408.
Relata o encontro de Tex com um dos personagens reais da epopeia da fronteira americana, o famoso general americano George Armstrong Custer. Contada em flashback, Tex recorda sua aventura ao lado de Custer, que procurava o ouro em Black Hills, enquanto alguns tramavam a morte do velho general fazendo recair a culpa sobre os índios.
- É uma das minhas preferidas, pois consegue inserir um personagem fictício em uma história verídica - afirma.
“O vale do terror” também faz parte das edições que João mais gosta, mas esta, não pelo texto, mas sim pela representação gráfica.
- A história é muito forte, mas o desenho é maravilhoso. Rico em detalhes- pontua.
Para ele, a narrativa em quadrinhos, é um encontro interessante entre a literatura e a expressão gráfica.
- É um casamento bem legal dos dois. O gibi consegue unir texto com a arte visual – destaca.
João, formado em Sociologia, é um ícone bastante presente na cena cultural de Charqueadas. Músico e compositor, ele não somente admira a literatura, como também contribui com ela escrevendo crônicas. Amante dos livros, além de se identificar com Tex Willer, faz da leitura do gibi uma espécie de ritual.
- Quando as aventuras de Tex se passam no calor do Arizona, gosto de lê-las no verão. Quando o cenário é o Canadá, curto ler no inverno, em dias chuvosos – confessa.
Sua coleção chamou atenção inclusive de um blog de Portugal, especializado em Tex, que convidou João para fazer uma matéria, em agosto deste ano.
- Foi com muita satisfação pessoal que dei essa entrevista, um convite generoso que me surpreendeu, realmente não esperava – lembra.
Com canções de sua autoria de pano de fundo, o colecionador volta a ser criança. O vento que ainda sopra, faz João viajar para o mundo do heroi em quadrinhos. E, dando asas à imaginação, ele mergulha nas histórias e aventuras em terras longínquas, como se um dia sonhasse ele próprio virar o personagem principal de um gibi.


Saiba mais detalhes de Tex
Quem é Tex Willer?
Tex Willer é um personagem dos quadrinhos italianos. Surge nas bancas em setembro de 1948 e já no primeiro quadrinho o vemos decidido, pistola em punho: "Por todos os diabos, será que ainda estão nas minhas costas?". Diferente dos herois da época, Tex é um homem duro. Sem hesitações, julgando as pessoas com um único olhar, não é um personagem destinado às crianças, mas a um público mais maduro. O linguajar de Tex é também bastante duro e violento e nos mostra um Tex (na versão não-censurada) mais “vil” que o de hoje. Na realidade, Tex é um justiceiro decidido, capaz de agir fora da lei se a situação o exigir, como no episódio que contou a sua origem (TEX-023). Ranger do Texas, chefe dos Navajos, agente indígena, enfim, um homem temido e respeitado, no Oeste tido como uma lenda, conhecido por muitos como o homem-revólver, dado a rapidez e precisão de seus Colts'45, e também como defensor dos injustiçados, quer sejam eles índios ou brancos. No Brasil, Tex surge nos anos 50 na Revista Júnior, com o nome de Texas Kid. É publicado de 1950 a 1957. É relançado depois em revista própria em 1971, pela Editora Vecchi.

Quem criou Tex?
Em 1948, a senhora Tea Bonelli pretendia modificar sua linha editorial, criando novas séries e parando com as meras reimpressões de histórias antigas, que já haviam esgotado seu público. Dessa forma, chama a Milão o desenhista Aurelio Gallepini (que trabalhava para a Nerbini antes da guerra) e confia os textos a seu ex-marido, G.L. Bonelli, notável roteirista. Juntos, ambos criam duas séries: Occhio Cupo (série ambientada nos 700 norte-americanos, entre piratas e índios), carro-chefe da Editora (e que durou menos de um ano), e Tex, um western.
Onde se desenvolvem as aventuras de Tex?
Tex, depois de inúmeras aventuras e peripécias, torna-se chefe dos Navajos e fixa residência no Arizona. Seu principal campo de atuação devia ser o sudoeste americano, com seus desertos ardentes e pequenos assentamentos de homens brancos. Entretanto, Tex realiza freqüentes incursões fora daquela zona, como pelos habituais México e Canadá, sem deixar de lado cidades como São Francisco, New Orleans, Washington ou lugares fascinantes como o Yucatán. Ocasionalmente, Tex anda por diversos outros lugares, como Boston, o istmo do Panamá (TEX-163, TEX-164 e TEX-165), na Ilha Nahuloa, localizada no Pacífico ocidental no continente da Oceania (TEX-118), ou ainda na América do Sul, na Argentina e Bolívia (TEX-008).

Quais as habilidades de Tex?
Forte, sobretudo. Tex é um homenzarrão, capaz de jogar qualquer um à lona. Além disso, é corajoso e veloz, seja com a pistola, seja com o rifle (consegue vencer até Buffalo Bill - TEX-028). É também inteligente e astuto, como todos os heróis, de quem traz uma característica fundamental: nunca morre, no máximo é atingido de raspão ou com pouca gravidade. Tendo sido um cowboy em suas origens, é hábil com o laço e também com os cavalos selvagens (TEX-023).

Tipos de formato
* Tex Normal, iniciou em 1971, pela Editora Vecchi e continua sendo publicado até os dias atuais, tendo passado pelas editoras RGE, Globo e atualmente Editora Mythos.
* Tex Normal Segunda Edição, republicação, série fechada que foi de 1 a 149.
* Tex Coleção, série que republica as aventuras de Tex na ordem em que foram publicadas na Itália, aventuras em continuação.
* Tex Edição Histórica, série que republica em histórias completas e com mais páginas as aventuras de Tex Coleção (veja foto do número 1 neste artigo).
* Tex Ouro, série que republica as aventuras de Tex da fase áurea, só com histórias completas.
* Tex Gigante, republica, em tamanho gigante, aventuras que saíram na Itála na série Gigante, geralmente com desenhistas convidados e fora do staff regular de Tex.
* Almanaque Tex, publica as aventuras inéditas de Tex deixadas para trás pelas editoras Vecchi, Rio Gráfica e Globo, intercalando alguma republicação ou aventuras especiais recentes.
* Tex Edição de Férias, série que republica as aventuras mais pedidas pelos leitores, sempre com histórias completas
* Tex Minisséries, publica em dois números aventuras especiais e inéditas com mais de 300 páginas.

Site do Jornal Portal de Noticias
http://www.portaldenoticias.com.br


João Adolfo Guerreiro
Enviado por João Adolfo Guerreiro em 16/11/2011
Alterado em 16/11/2011
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (você deve citar a autoria de João Adolfo Guerreiro). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.


Comentários